O tema repatriamento de nuvens virou assunto, pois as empresas começaram a perceber que a nuvem pública não é a melhor opção para todas as cargas de trabalho e aplicações. Embora cumpra a promessa de escalabilidade, as empresas encontraram vários desafios em outras áreas que podem comprometer sua jornada para a nuvem. Cada vez mais, as empresas percebem que a nuvem pública é o ambiente ideal para a captura de transações de usuários, enquanto as características da nuvem privada estão melhor alinhadas com as necessidades de processamento e consolidação dessas transações. Chega-se à conclusão que ambientes híbridos, onde a aplicação está distribuída em diversos tipos de nuvens diferentes, é a melhor solução técnica e econômica.  

Inicialmente, ao considerarem estratégias de migração para nuvem, as empresas não resistiram ao apelo dos serviços de  infraestrutura com pagamento conforme uso. Porém, ao longo da jornada para a nuvem, o que funciona bem no início pode não funcionar tão bem depois que você aumenta o crescimento de utilização. Na maioria das situações, após experimentarem os custos aumentarem de forma descontrolada, empresas estão trazendo de volta o back-end das aplicações para nuvens privadas, hospedadas em Data Centers de missão crítica. 

Um grande número de empresas brasileiras está repatriando aplicações de nuvem pública para nuvem privada. Segundo pesquisa promovida pela Nutanix, mais de três quartos dos entrevistados brasileiros (78%) relataram ter iniciativas de repatriação, o que representa cerca de 6 a 8 pontos percentuais acima das médias global e das Américas. Os números indicam a necessidade por maior mobilidade entre integração e nuvem, e ressaltam as vantagens de contar com provedores de serviços gerenciados fim-a-fim, independentemente da plataforma de nuvem escolhida.

Investimento

O custo elevado da nuvem pública, geralmente mais do que o esperado, atrelado ao risco cambial, foi tema muito presente na pesquisa. Empresas brasileiras relatam custo excessivo com suas despesas em nuvem pública, com 35,39% informando excedentes em 2019, subindo significativamente ano a ano, com 21,6% em 2018.

Segurança

Seja por questões de segurança ou custo, algumas empresas estão decidindo migrar suas aplicações de nuvens públicas para sistemas internos, um processo conhecido como repatriação. Esse foi o caso de 73% dos 2.650 tomadores de decisão de TI pesquisados ​​pela Vanson Bourne a pedido da Nutanix.

Há um debate em andamento sobre a segurança da nuvem pública versus a nuvem privada. O segmento de nuvem pública tem apresentado constantemente um repertório de notícias sobre violações de dados que reforçam a segurança sendo o principal fator para as empresas migrarem suas cargas de trabalho para nuvens híbridas. Boa parte desta dinâmica é razão dos provedores de nuvem pública defenderem o modelo de responsabilidade compartilhada, enquanto provedores de serviço de nuvens híbridas defendem um modelo de gerenciamento agnóstico ao tipo de nuvem utilizado. 

Performance

Dadas as características de recursos computacionais dinâmicos, as nuvens públicas geralmente não garantem uma performance de processamento e I/O consistente, e o modelo de capacidade de telecomunicações disponibilizada por gigabyte transferido pressupõe restrições de tráfego (traffic shaping).

A conclusão é que a melhor prática de performance é ter a ingestão da aplicação (front-end) em nuvem pública e o processamento e consolidação da transação (back-end) em nuvem privada. A combinação dessas opções é conhecida como nuvem híbrida.   

Racionalização de Custos e Proteção de Investimentos

A grande maioria das empresas continuam tendo a necessidade de manter um legado operacional. Esses sistemas legados apresentam muita dificuldade para serem migrados para a nuvem pública, seja sob o ponto de licenciamento de software ou do ponto de vista de investimentos realizados em hardware especialista. Além dos investimentos necessários para migrar o legado, como os provedores de nuvem pública defendem um modelo de gestão compartilhada, os custos de operação (opex) também podem tornar-se impeditivos.    

Lei Geral de Proteção dos Dados (LGPD) 

Existem serviços que possuem recursos nativos de replicação entre regiões. Por esse motivo, é perfeitamente possível, para uma empresa, violar acidentalmente as regras LGPD porque um administrador ativou a replicação entre regiões para um bucket não preparado. A repatriação de dados confidenciais para nuvens híbridas e Data Centers de missão crítica locais fornece às empresas mais controle, impedindo uma violação inadvertida dos muitos regulamentos aos quais uma empresa pode estar vinculada.

Centralização de TI

A capacidade de gerar serviços sob demanda traz agilidade e inovação. Esse é o apelo dos serviços de nuvem pública. Mas este processo pode gerar desde problemas óbvios sobre controles de custos até problemas menos óbvios como gestão de acessos e potencial de violação de regulamentos corporativos ou governamentais. Cargas de trabalho com gerenciamento unificado garante a governança e o controle da TI.

Estamos acompanhando duas tendências opostas. Espera-se que os gastos em nuvem pública mais que dobrem até 2023, no entanto, 98% das empresas ainda mantêm seus servidores locais. Ainda assim, essas duas tendências podem viver em harmonia à medida que os sentimentos se afastam de uma mentalidade de “ou / ou” para uma “isso e aquilo”.

Pesquisas recentes indicam que “o uso de nuvens privadas e públicas aumentaria acentuadamente nos próximos 12 a 24 meses”. Parece que as empresas estão percebendo que não existe “bala de prata”, cada tipo de nuvem tem suas vantagens e desvantagens. Os recursos de TI disponibilizados em nuvem híbrida, numa combinação de ambientes de nuvem pública e privada (a nuvem híbrida), com gerenciamento fim-a-fim, vai ao encontro dessas necessidades. 

Carla Ferreira
Marketing
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